Cutucou o rosto paralisado do rei. O sorriso inalterado. Os dedos do bobo massageando as expressões felizes da corte. No seu próprio rosto a solidão do palácio. O vazio nos olhos. Todo palco abandonado. Que triste, pensou ele, minha cena perdida nos sorrisos de sempre e para sempre. Até quando viveria? Não sabia nem quanto tempo passara desde a última gargalhada de verdade. Agora ele chorava e ria sozinho. A maquiagem borrada. O sorriso como uma taça virada. Os pés cansados. As roupas gastas. Até quando, gritou ele, e depois dormiu...
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