quarta-feira, 15 de junho de 2011

Um palhaço perdido e sem palco

Um palhaço sobe no palco. Ele tem a barba comprida. Grita: Viva a vida! Estende os braços. Finos. Ossudos. Mas seu rosto é susto. A plateia sumiu. O povo ninguém viu. E ninguém era ninguém. Lá se foi o sorriso. O riso alegre do palhaço barbudo. Certo sobre tudo. Ou sobre como seria o mundo de um espetáculo só. Agora era escuro. Um único foco de luz sobre aquele rosto peludo. O palhaço ficou mudo. Sem risada. Arco de gargalhada. Piadas. Era uma pista do que tinha sido. Vivente e convencido. O palhaço decidiu o suicídio. Fez uma mimica cá. Outra acolá. Voilà! Tinha uma corda nas mãos. Trançou um nó. Firmou os pés num buraco no chão. O palco como um túmulo. Morreu-se o palhaço mudo. Pensou assim. E quando já se debatia. Os pesinhos de grandes sapatos tremendo. A plateia aplaudia. Ria. A alegria fora sua cova fria. Morreu-se o palhaço sem alegria, pensavam eles, mas deitado na sua cova sorria o bom espetáculo.

Nenhum comentário: